
A próstata é uma glândula que faz parte do sistema reprodutor masculino e, com o passar dos anos, ela pode sofrer alterações naturais. Uma das mais comuns é a Hiperplasia Prostática Benigna (HPB), que nada mais é do que o aumento benigno da próstata. Apesar de ser uma condição não cancerosa, a HPB pode causar bastante incômodo e prejudicar a qualidade de vida do homem se não for tratada adequadamente.
Neste texto, explicarei de forma clara e simples o que é a HPB, por que ela acontece, quais são os sintomas mais frequentes, como é feito o diagnóstico, os tratamentos disponíveis e quando você deve procurar um urologista.
A próstata é uma glândula do tamanho de uma noz, localizada logo abaixo da bexiga e à frente do reto. Ela envolve a parte inicial da uretra — o canal por onde a urina sai do corpo — e é responsável por produzir parte do líquido seminal, que ajuda a proteger e transportar os espermatozoides durante a ejaculação.
Com o passar do tempo, especialmente após os 40 anos, é comum que essa glândula comece a crescer. Quando esse crescimento é benigno e afeta o funcionamento do trato urinário, chamamos de hiperplasia prostática benigna.
A HPB é o aumento não canceroso da próstata. Apesar de ser um crescimento benigno, ele pode comprimir a uretra e dificultar a passagem da urina, causando diversos sintomas urinários.
É uma condição extremamente comum: estima-se que mais de 50% dos homens acima dos 50 anos apresentem algum grau de HPB, e esse número sobe para até 90% após os 80 anos. Embora nem todos desenvolvam sintomas, é importante ficar atento aos sinais.
Os sintomas da HPB podem variar de pessoa para pessoa, mas os mais comuns incluem:
Jato urinário fraco ou interrompido
Dificuldade para iniciar a micção
Sensação de esvaziamento incompleto da bexiga
Necessidade de urinar com frequência, inclusive à noite (nictúria)
Urgência urinária (vontade súbita de urinar)
Gotejamento de urina após o fim da micção
Em casos mais graves, retenção urinária (incapacidade total de urinar)
Esses sintomas podem afetar significativamente o bem-estar e a qualidade de vida do homem, gerando desconforto físico e impacto emocional.
Não. A Hiperplasia Prostática Benigna não é câncer e não aumenta o risco de desenvolver câncer de próstata. No entanto, as duas condições podem coexistir, por isso é fundamental manter o acompanhamento regular com um urologista.
O crescimento da próstata está relacionado a alterações hormonais naturais que ocorrem com o envelhecimento. A testosterona (hormônio masculino) sofre uma transformação em outra substância chamada DHT (di-hidrotestosterona), que estimula o crescimento das células prostáticas. Com o tempo, essa estimulação pode levar à hiperplasia.
Além da idade, alguns fatores podem aumentar o risco de HPB:
Histórico familiar de HPB
Obesidade e sedentarismo
Diabetes tipo 2
Hipertensão arterial
O diagnóstico da HPB começa com uma avaliação clínica detalhada, onde o médico coleta informações sobre os sintomas urinários, frequência e intensidade. Em seguida, são realizados alguns exames:
Permite ao urologista avaliar o tamanho, consistência e forma da próstata. É um exame rápido, indolor e fundamental para a saúde do homem.
Exame de sangue que mede uma substância produzida pela próstata. Embora usado também na detecção de câncer, o PSA pode estar alterado em casos de HPB e inflamações prostáticas.
Ultrassonografia da próstata (via abdominal ou transretal)
Fluxometria urinária (avalia a força do jato urinário)
Resíduo pós-miccional (mede a quantidade de urina que permanece na bexiga após urinar)
Esses exames ajudam a confirmar o diagnóstico, avaliar o grau de obstrução e orientar o tratamento mais adequado.
É fundamental procurar um urologista se você:
Tem mais de 45 anos (mesmo sem sintomas, para acompanhamento)
Percebe mudanças no padrão urinário
Sente dor ou desconforto ao urinar
Tem necessidade frequente de urinar à noite
Nota sangue na urina
Quanto mais cedo a HPB for identificada, mais fácil será o controle dos sintomas e a prevenção de complicações.
O tratamento depende da gravidade dos sintomas e do impacto na qualidade de vida do paciente. Pode variar entre observação simples, uso de medicamentos e, em alguns casos, cirurgia.
Em casos leves, apenas medidas comportamentais podem ajudar:
Reduzir o consumo de líquidos à noite
Evitar cafeína e álcool
Urinar com intervalos regulares
Praticar atividade física regularmente
São indicados quando os sintomas afetam o dia a dia:
Alfa-bloqueadores: relaxam os músculos da próstata e da bexiga, melhorando o fluxo urinário (ex: tansulosina).
Inibidores da 5-alfa-redutase: reduzem o tamanho da próstata com o tempo (ex: finasterida, dutasterida).
Em alguns casos, os dois tipos de medicamentos são combinados.
Indicada quando os medicamentos não funcionam ou há complicações como retenção urinária, infecções frequentes, pedras na bexiga ou insuficiência renal.
As técnicas cirúrgicas mais comuns são:
RTU de Próstata (Ressecção Transuretral da Próstata): considerada padrão ouro, é feita por via uretral, sem cortes.
Cirurgia a laser ou com vapor de água: técnicas minimamente invasivas com menos risco de sangramento.
Prostatectomia aberta: indicada para próstatas muito grandes.
A escolha do procedimento depende do tamanho da próstata, das condições clínicas do paciente e da experiência do cirurgião.
A HPB não tem uma “cura” definitiva, mas tem controle eficaz, e o paciente pode ter uma vida totalmente normal com o tratamento adequado. O mais importante é o acompanhamento contínuo com o urologista, que irá ajustar o tratamento conforme a evolução dos sintomas.
A Hiperplasia Prostática Benigna é uma condição muito comum entre os homens, especialmente após os 50 anos. Embora não represente um risco direto de vida, seus sintomas podem ser bastante incômodos e até incapacitantes se não tratados.
O Dr. Bruno Mello Rodrigues dos Santos, médico urologista, orienta que todos os homens mantenham acompanhamento regular a partir dos 45 a 50 anos de idade, mesmo que não apresentem sintomas. Com um diagnóstico preciso e tratamento adequado, é possível preservar a saúde urinária e garantir mais qualidade de vida.
Se você tem dúvidas sobre sua saúde prostática ou apresenta sintomas urinários, não adie sua consulta. Cuidar da sua próstata é um passo importante para viver bem e com mais tranquilidade.