O câncer de próstata é o tipo de câncer mais comum entre os homens, depois do câncer de pele não melanoma. No Brasil, estima-se que um em cada seis homens será diagnosticado com essa doença ao longo da vida. Embora esses números sejam altos, o câncer de próstata tem grandes chances de cura quando identificado precocemente.
A próstata é uma glândula presente apenas nos homens. Ela fica localizada logo abaixo da bexiga e à frente do reto, envolvendo a parte inicial da uretra (canal por onde a urina é eliminada). Sua principal função é produzir parte do líquido seminal, que nutre e protege os espermatozoides durante a ejaculação.
Com o avanço da idade, a próstata pode sofrer alterações. Algumas são benignas, como a hiperplasia prostática benigna (aumento do volume da próstata), mas outras podem ser malignas, como o câncer.
O câncer de próstata é o crescimento desordenado de células na próstata. Essas células podem formar um tumor e, em alguns casos, se espalhar para outras partes do corpo (metástase), principalmente ossos e gânglios linfáticos.
É importante saber que o câncer de próstata geralmente se desenvolve de forma lenta. Muitos homens, especialmente os mais idosos, podem ter o tumor e nunca apresentar sintomas ou necessidade de tratamento. No entanto, em outros casos, a doença pode ser agressiva e comprometer a qualidade de vida e até levar à morte.
Embora o câncer de próstata possa surgir em qualquer homem, alguns fatores aumentam o risco:
Idade: O risco aumenta significativamente a partir dos 50 anos. Cerca de 75% dos casos ocorrem após os 65 anos.
Histórico familiar: Ter pai, avô ou irmão com câncer de próstata, especialmente diagnosticado antes dos 60 anos, eleva o risco.
Raça: Homens negros têm maior risco de desenvolver a doença e de forma mais agressiva.
Alimentação e estilo de vida: Dieta rica em gorduras animais e pobre em frutas, vegetais e fibras, além do sedentarismo, também estão relacionados ao aumento do risco.
Na fase inicial, o câncer de próstata geralmente não apresenta sintomas. Por isso, os exames preventivos são tão importantes.
Quando os sintomas aparecem, eles podem ser:
Dificuldade para urinar
Jato urinário fraco ou interrompido
Necessidade frequente de urinar, principalmente à noite
Dor ou ardência ao urinar
Sangue na urina ou no sêmen
Dor na região lombar, nos quadris ou nas pernas (quando há metástase óssea)
Vale lembrar que esses sinais também podem estar relacionados a outras doenças benignas da próstata, por isso é fundamental consultar um urologista para avaliação correta.
A detecção precoce do câncer de próstata é feita com dois exames principais:
Toque retal: exame clínico simples, rápido e indolor, em que o médico avalia tamanho, forma e consistência da próstata através do reto. Muitas vezes, alterações no toque podem indicar a presença de um tumor, mesmo com exames laboratoriais normais.
PSA (antígeno prostático específico): exame de sangue que mede a quantidade de uma substância produzida pela próstata. Níveis elevados de PSA podem indicar câncer, mas também podem estar relacionados a outras condições, como infecção ou inflamação.
Se houver suspeita após esses exames, o médico pode solicitar exames complementares como:
Ressonância magnética da próstata
Biópsia da próstata (coleta de pequenos fragmentos da glândula para análise em laboratório)
Cintilografia óssea e tomografia, se houver suspeita de metástase
Não há uma forma específica de prevenir o câncer de próstata, mas é possível reduzir os riscos com hábitos saudáveis:
Tenha uma alimentação equilibrada, rica em frutas, vegetais e grãos integrais
Evite alimentos ultraprocessados e gordurosos
Pratique atividade física regularmente
Mantenha o peso corporal adequado
Não fume e evite o consumo excessivo de álcool
Além disso, homens a partir de 50 anos (ou 45, se houver histórico familiar) devem conversar com o urologista sobre os exames de rotina. O diagnóstico precoce salva vidas.
O tratamento do câncer de próstata depende de diversos fatores: estágio da doença, idade, saúde geral do paciente e expectativa de vida. As principais opções incluem:
Vigilância ativa: em casos de tumores pequenos e de crescimento lento, o médico pode apenas acompanhar a evolução com exames periódicos. Essa abordagem evita tratamentos desnecessários e efeitos colaterais.
Cirurgia (prostatectomia radical): remoção total da próstata. Pode ser feita por via aberta, laparoscópica ou robótica. É indicada principalmente para casos localizados.
Radioterapia: uso de radiação para destruir as células cancerígenas. Pode ser externa (feixes de radiação) ou interna (braquiterapia).
Terapia hormonal: indicada quando o câncer se espalhou ou voltou após outros tratamentos. Visa reduzir a ação da testosterona, que alimenta o tumor.
Quimioterapia: usada em casos mais avançados, quando os outros métodos não são eficazes.
Cada caso deve ser analisado individualmente, e a decisão sobre o tratamento é tomada em conjunto entre o médico e o paciente.
Receber o diagnóstico de câncer pode causar medo e ansiedade. É fundamental contar com o apoio da família, amigos e equipe médica. Em alguns casos, psicólogos e grupos de apoio também são recomendados.
O tratamento pode ter efeitos colaterais, como disfunção erétil ou incontinência urinária, mas hoje existem diversas formas de minimizar esses impactos e preservar a qualidade de vida do paciente.
O câncer de próstata é uma doença comum, mas com grandes chances de cura quando diagnosticado precocemente. Superar o preconceito em relação ao toque retal e manter os exames de rotina em dia são atitudes fundamentais para a saúde masculina.
O Dr. Bruno Mello Rodrigues dos Santos, urologista com ampla experiência no diagnóstico e tratamento de doenças da próstata, reforça a importância do cuidado preventivo e da informação de qualidade. Se você tem mais de 50 anos (ou 45, com fatores de risco), agende uma consulta e tire todas as suas dúvidas.
Lembre-se: cuidar da saúde também é um ato de coragem.