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Tumores de Bexiga

O câncer de bexiga, também conhecido como tumor de bexiga, é uma doença relativamente comum, especialmente entre homens com mais de 60 anos. No entanto, por se tratar de uma condição muitas vezes silenciosa em seus estágios iniciais, é fundamental que a população esteja bem informada sobre seus sinais, fatores de risco e formas de tratamento.


O que é a bexiga e qual sua função?

A bexiga é um órgão oco e muscular do sistema urinário, responsável por armazenar a urina produzida pelos rins até o momento em que ela é eliminada do corpo através da uretra. Sua parede é composta por camadas musculares e um revestimento interno chamado urotélio, onde a maioria dos tumores se desenvolve.


O que são os tumores de bexiga?

Os tumores de bexiga ocorrem quando células anormais começam a crescer de forma desordenada na parede da bexiga. A maioria dos casos é classificada como carcinoma urotelial, que se origina nas células do urotélio. Existem outros tipos menos comuns, como o carcinoma escamoso e o adenocarcinoma.

Os tumores de bexiga podem ser:

  • Não invasivos: limitados à camada superficial da bexiga, sem atingir o músculo.

  • Invasivos: crescem em direção à camada muscular da bexiga, com maior risco de se espalhar para outros órgãos (metástase).

O tratamento e o prognóstico vão depender, em grande parte, da profundidade do tumor e da sua agressividade.


Quais são os fatores de risco?

Alguns fatores aumentam significativamente o risco de desenvolver câncer de bexiga. Os principais são:

1. Tabagismo

Fumar é o principal fator de risco para o câncer de bexiga. Substâncias tóxicas do cigarro são filtradas pelos rins e eliminadas pela urina, entrando em contato com a parede da bexiga e podendo causar alterações celulares ao longo do tempo.

2. Exposição a substâncias químicas

Trabalhadores das indústrias química, de tintas, borracha, couro, petróleo e metalurgia estão mais expostos a agentes cancerígenos, como aminas aromáticas.

3. Histórico pessoal ou familiar

Pessoas que já tiveram câncer de bexiga ou têm parentes próximos com a doença têm risco aumentado.

4. Infecções urinárias de repetição

Em alguns casos, infecções crônicas da bexiga ou o uso prolongado de sondas urinárias podem aumentar o risco.

5. Radioterapia prévia

Pacientes que receberam radioterapia na região pélvica (como para tratar câncer de próstata ou colo do útero) também têm maior risco.


Quais são os sintomas do câncer de bexiga?

O sintoma mais comum do câncer de bexiga é a presença de sangue na urina (hematúria), que pode ser visível a olho nu (coloração avermelhada ou escura) ou detectada apenas em exames laboratoriais.

Outros sintomas possíveis incluem:

  • Urgência para urinar com frequência

  • Ardência ao urinar

  • Sensação de esvaziamento incompleto da bexiga

  • Dor na parte inferior do abdômen

  • Dor lombar (em casos mais avançados)

É importante lembrar que nem todo sangue na urina significa câncer, mas todo caso de hematúria deve ser investigado por um urologista.


Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico dos tumores de bexiga envolve uma combinação de exames clínicos, laboratoriais e de imagem:

1. Urinálise e citologia urinária

A análise da urina pode detectar a presença de sangue e células anormais, sugerindo a existência de um tumor.

2. Ultrassonografia do trato urinário

É um exame inicial simples que pode visualizar alterações na bexiga ou rins, mas não é definitivo.

3. Cistoscopia

É o exame mais importante para o diagnóstico. Consiste na introdução de uma câmera fina pela uretra até a bexiga, permitindo visualizar diretamente o interior da bexiga e identificar possíveis lesões.

4. Biópsia

Durante a cistoscopia, se for encontrado algum tumor, é possível realizar a ressecção transuretral do tumor (RTU)para remoção da lesão e envio do material para análise patológica. Essa análise dirá se o tumor é superficial ou invasivo e qual seu grau de agressividade.

5. Exames de imagem

Em casos mais avançados, podem ser solicitadas tomografias ou ressonâncias para avaliar se o câncer se espalhou para outros órgãos.


Como é o tratamento dos tumores de bexiga?

O tratamento vai depender do tipo, estágio e grau do tumor, além das condições clínicas do paciente. As principais opções incluem:

1. Ressecção transuretral do tumor (RTU)

É o procedimento inicial para a maioria dos tumores superficiais. Feito por via endoscópica (sem cortes), consiste na remoção do tumor com um aparelho inserido pela uretra.

2. Instilação intravesical

Após a RTU, alguns casos exigem o uso de medicamentos dentro da bexiga, como BCG (Bacilo Calmette-Guérin) ou quimioterapia intravesical. Essa técnica ajuda a evitar a recorrência ou progressão do tumor.

3. Cistectomia (remoção da bexiga)

Indicada nos casos mais avançados ou invasivos. A bexiga pode ser totalmente removida (cistectomia radical) e, em alguns casos, é necessário criar um novo caminho para a urina sair do corpo, como uma bolsa externa (urostomia) ou uma nova bexiga construída com parte do intestino (neobexiga).

4. Quimioterapia sistêmica e radioterapia

Utilizadas em casos de metástase ou quando o paciente não pode ser operado. Podem ser usadas antes da cirurgia (neoadjuvante) ou após (adjuvante), conforme o caso.


O câncer de bexiga tem cura?

Sim, principalmente quando diagnosticado precocemente. A maioria dos tumores superficiais pode ser completamente removida com procedimentos minimamente invasivos e acompanhamento adequado.

No entanto, os tumores de bexiga têm uma alta taxa de recorrência, por isso o acompanhamento urológico regular é essencial mesmo após o tratamento.


Como prevenir o câncer de bexiga?

Algumas atitudes podem reduzir o risco da doença:

  • Não fumar: parar de fumar é a principal forma de prevenção.

  • Beber bastante água: ajuda a diluir substâncias nocivas na urina.

  • Usar equipamentos de proteção no trabalho, se houver exposição a produtos químicos.

  • Consultar um urologista regularmente, especialmente se houver fatores de risco.


Conclusão

Os tumores de bexiga podem assustar, mas com diagnóstico precoce e tratamento adequado, a maioria dos casos tem boa evolução. O mais importante é estar atento aos sinais do corpo e procurar um urologista ao menor sinal de alteração urinária, especialmente a presença de sangue na urina.

O Dr. Bruno Mello Rodrigues dos Santos, médico urologista, reforça que o medo ou a vergonha não devem impedir ninguém de cuidar da própria saúde. Com acompanhamento especializado, é possível tratar o câncer de bexiga de forma eficaz e preservar a qualidade de vida.